João Batista Silva
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O Anel de Brilhante

Lindo anel...
Simples, muito simples. Até parecia uma aliança moldurada com exclusividade, para aquele dedinho especial de professora, de secretária, de mulher envolvente, de pessoa que sonha, que luta, que soube valorizar o anel de brilhante que recebera de presente naquela noite em que foi comemorado seu aniversário natalício ao lado da família.
Creio, se não fosse estar inteiramente ligado às preparações, participações e todos eventos... Eu diria que estavam diante de uma animada festa junina; balões, doces, forrós e muita gente participando com alegria.
Que pena! O historiador não chegou a tempo de registrar aqueles momentos de inteira significância, de filmar e fotografar os mais lindos e preciosos minutos de uma festa, em que todos brincavam, sorriam. Ali, a vida estava presa aos sentimentos do amor, da verdade, do passado, do presente e do futuro. Um procedimento em que muitos são desfavorecidos, desobedientes, incompreendidos.
Existem momentos na vida de uma pessoa em que o amor fala mais alto, ultrapassa sem precipitações.
Aquela amiga loira dos olhos azuis vai ao centro da sala, coloca o aparelho de som a uma altura bem agradável... se não me falha a memória, foi uma música do “Rei Roberto Carlos”, Detalhes, e iniciou proferindo as mais dóceis palavras.
- Olá pessoal, gente! Olhem aqui esta pequena caixinha. Este embrulho aqui em minhas mãos é o presente de nossa amiga.
O silêncio invade o interior daquele recinto, onde todos permaneciam imobilizados a ouvir as palavras se encaixarem nos devidos lugares, uma a uma.
- Querida amiga venha aqui à frente!
- Eu, por que eu?
- Não se faça de esquecida. Quem mais aqui está esperando por esse momento tão lindo?
- Lindo... Olha, eu não sei do que se trata.
- Não sabe, ou está brincando?
- Eu não, longe de mim brincar com coisas sérias e...
- Então amiga, volte-se para o lado de seus pais, naquela mesa central da sala e vamos prosseguir.
Elevou a mão no sentindo vertical, retirou o primeiro papel do delicado embrulho e foi dizendo com aquela voz mansa naturalmente.
- Estou passando este embrulho a nossa amiga. É um anel de brilhante. Um simples presente que está recebendo de seu namorado. Namorado que a partir de agora é seu noivo.
A pequena e delicada menina, de um manequim pouco comum, cabelos longos, morena clara, era muito mais uma boneca encantada, que se colocava ali a receber o embrulho, que foi aos poucos se desfazendo até brilhar definitivo no dedo da mão direita da mais linda jovem que passou por lá aquele dia, naquele inesquecível momento!
Esse anel foi e voltou por muito tempo naquela companhia. O anel que ficou mais lindo naquela mão de princesa, de amiga, de uma pessoa que jamais saiu do coração daquele moço. Jamais aqueles corações se esqueceram, ou perderam a esperança. Por muitos anos esse anel brilhou naquela mão.
Como tudo muda, passa, se desfaz...
Certo dia o anel saiu da linda mão encantada e caiu na mão de sua mãe, onde ficou por um longo tempo naquela mão de mestra, de defensora das razões, de sogra de muitos e muitas, que não tardaram na complementação dos sentimentos.
É uma pequena estória de um anel que deixou histórias. Você merece muitos anéis. O anel, às vezes, não lhe foi merecedor.
O que brilhou, brilha e poderá brilhar muito mais forte.
Esse anel você merece!

BOM DESPACHO, 16 DE OUTUBRO DE 2004, ÀS 21:30 H.
João Batista Silva
Enviado por João Batista Silva em 28/09/2018
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